publicado em: 14/07/2020

FLAMENGO E A SOBERBA INSTITUCIONALIZADA

É muito bonito ver um clube da magnitude do Flamengo conquistando títulos e sendo protagonista do futebol nacional. Coisa que a bastante tempo não ocorria. Seja pela má formação de elenco ou pela má gestão administrativa, por muito tempo a equipe rubro negra viveu um total desequilíbrio.

No início de 2018, com a eleição do engenheiro Rodolfo Landim, a equipe da gávea atingiu outro “patamar” como torcedores gostam de dizer. Foram contratações de peso para o elenco como Gabigol, Rafinha, Filipe Luís, dentre outros. Contudo, a principal delas, com certeza, foi a do técnico português Jorge Jesus que chegou depois da demissão de Abel Braga, que mesmo com um elenco já recheado, não fez o time render. 

Apesar do sucesso ter como principal responsável, para muitos, o dirigente Rodolfo Landim, foi o vice de futebol Marcos Braz que teve a ideia de trazer o técnico português para o Brasil. E a ideia deu muito certo. Desde a chegada de Jesus, o Flamengo conquistou 5 títulos que são eles: Carioca, Libertadores, Serie A, Recopa e Supercopa do Brasil. Vale lembrar também, que foram títulos com time jogando bem e convencendo. 

Mas com o sucesso constante, e com a distância técnica que o Flamengo construiu em relação a outros clubes nacionais, fez nascer algo perigoso: a soberba. Esse sentimento existir entre a torcida é comum, mas o clube compartilhar isso pode ser uma enorme pedra no sapato. 

Com a pandemia atingindo os seus números mais altos, Landim teve a brilhante ideia de ir à Brasília falar pessoalmente com o presidente da República para pedir a volta do futebol. Além da soberba, agora Landim evidenciava ignorância e falta de humanidade, que é um aspecto já bastante conhecido da atual diretoria do Flamengo. 

Apesar de todos esses fatores prepotentes que a instituição Flamengo vem demonstrando, até agora, não houve consequências tão negativas, mas a perda do título da taça Rio para o Fluminense, foi um pequeno alarme do que pode acontecer no futuro se a diretoria não mudar de postura. 

Esse eterno sentimento de “já ganhou”  da diretoria, contaminou fortemente a torcida que já forma uma espécie de militância virtual pró-flamengo, que sempre está indo contra os veículos midiáticos e com aquele conhecido sentimento conspiratório de que "a mídia odeia o time" Toda essa situação deve agradar bastante Landim, que vê nas mídias sociais do próprio clube uma alternativa de fugir das mídias tradicionais, e consequentemente, fugir de críticas e conseguir lucrar com isso.

Nem todos sabem, mas o atual Presidente do Flamengo é ex-executivo de Eike Batista, e talvez, esse detalhe explique a gestão agressiva e nem um pouco solidária de Landim. O que devemos torcer é que o Flamengo não experimente as consequências da soberba.

Publicado por Yuri Melo
Um jornalista em formação sempre em busca de mais conhecimento.